sábado, 14 de janeiro de 2017

PORQUÊ?!


As páginas dos periódicos da semana que acaba de se extinguir mais se assemelham a obituários. Os elogios ao defunto não aceitam contraditório, o que se compreende nestas circunstâncias, ao defunto devem-se todos os encómios.

Até aqui tudo bem, ou quase, mas o que se torna intrigante por obsessivo é que em todos os escritos surja o nome de Álvaro Cunhal.

Se quando faleceu Álvaro Cunhal, os jornais na generalidade só a ele se referiram, como compreender tamanha obsessão de colar o defunto a Álvaro Cunhal?

Ah!, ia-me esquecendo: também se referiram ao ‘pai da democracia’; mas para quem se quiser dar ao trabalho de comparar as centenas de textos que inundaram os media, encontrará redações sobre um tema onde as ‘opiniões’ seguiram um guião pré-definido.
 
E fico por aqui que hoje é sábado.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

RESCALDO DO MASSACRE


Desde o início da tarde de sábado, altura em que foi noticiada a morte de Mário Soares, que os principais canais de televisão e estações de rádio do país se desdobraram em diretos, emissões especiais, entrevistas e debates sobre a vida do ex-Presidente da República. De acordo com um estudo da Cision, foram publicadas 15.947 notícias e mais de 230 horas – o equivalente a mais de nove dias – de emissão de rádio e televisão dedicadas ao adeus ao homem que, em 1985, assinou o tratado de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE).

Os canais de informação foram aqueles que mais tempo dedicaram às reações à morte de Soares, às exéquias fúnebres e às inúmeras homenagens realizadas ao longo do fim-de-semana e dos três dias de luto nacional que se seguiram. RTP3, SIC Notícias, TVI 24 e CMTV realizaram exaustivas coberturas da despedida ao fundador do Partido Socialista, somando cerca de 162 horas (quase sete dias) de emissão sobre o óbito.

Os principais canais generalistas também reservaram grande parte da sua programação para abordarem a vida e a morte de Mário Soares. Entre RTP1, RTP2, SIC e TVI, contabilizaram-se cerca de 36 horas (um dia e meio) de transmissões televisivas sobre a despedida ao fundador do Partido Socialista. Do mesmo modo, as rádios fizeram um acompanhamento pormenorizado do último adeus ao antigo chefe de Estado, com a Antena 1, a TSF e a Rádio Renascença a dedicarem cerca de 34 horas das suas emissões ao desaparecimento de Soares.

Não foi só na rádio e televisão que a morte de Mário Soares e todas as reações que se seguiram foram amplamente noticiadas. Também nos jornais e nos meios online a cobertura foi pormenorizada. Só em Portugal, foram publicados 699 artigos na imprensa e 4.486 notícias na internet. Lá por fora, a Cision detetou 8.351 artigos publicados nos meios de comunicação social internacionais sobre o desaparecimento do ex-Presidente da República.

O objeto de análise deste estudo realizado pela Cision – empresa líder global em serviços e software de pesquisa, monitorização e análise de media – são todas as notícias sobre a morte de Mário Soares, veiculadas no espaço editorial português e internacional. O estudo incide sobre o período decorrido entre os dias 7 de janeiro, data da morte de Soares, e 11 de janeiro de 2017, último dos três dias de luto nacional decretado pelo Governo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Após o fogo-de-artifício mediático

apanham-se as canas e varrem-se as cinzas
in, Público 12/01/2017

Por que foi tão pouca gente ao funeral de Soares?

«Não faltou nada ao funeral de Mário Soares. Honras de Estado. Três dias de luto nacional. Fotografias espalhadas pela capital. Altos dignitários. O rei de Espanha. Uma cerimónia impecavelmente organizada. Momentos íntimos e comoventes. A voz de Maria Barroso a declamar “Os dois sonetos de amor da hora triste”: “Quando eu morrer – e hei-de morrer primeiro/ Do que tu – não deixes de fechar-me os olhos/ Meu Amor.” O belíssimo discurso de Isabel Soares. As televisões e as rádios em directo. Jornais e revistas desdobrando-se em homenagens. Não faltou nada. Excepto gente.
A desproporção entre a cerimónia oficial e a cobertura mediática, por um lado, e o número de pessoas na rua, por outro, foi tão gritante que Ferro Rodrigues veio justificar a falta de povo com o facto de ser “dia de trabalho” e de muitos estarem ali “em pensamento”. Mas quando os campeões europeus chegaram a Portugal a 11 de Julho também era dia de trabalho, e nem por isso o país deixou de sair à rua. “Hoje é feriado!”, proclamou Éder na Alameda. Não era. Mas parecia. Com Soares não se passou nada disso, e o argumento de que só o futebol faz mover multidões não colhe: o funeral de Cunhal, em 2005, foi acompanhado por um banho de gente, e as fotos da Avenida Morais Soares apinhada de bandeiras vermelhas impressionam. Como justificar este abismo na adesão popular?» Ler AQUI

Nota, funeral de Cunhal segunda-feira 13.06.2005

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O LIVRO DA SEMANA – CONTOS PROIBIDOS de RUI MATEUS



A HISTÓRIA ESCRITA PELOS SEUS PROTAGONISTAS

Desligue a televisão e aproveite para se inteirar da história recente e dos seus heróis.

Boa leitura